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| René Magritte, Le Libérateur, 1947 |
chávena de café & cachimbo
uma chávena de café e o cachimbo
eram todo o lugar vazio do avô à mesa
depois do jantar
anos depois
uma chávena de café e o cachimbo
são ainda a melhor presença no mundo
dos vivos de quem me ensinou
a partir
quem explica as contradições do amor?
quem senão a própria poesia, que de
paradoxo em paradoxo se aclara como a
sala solitária, com os dois restos de
aromas desfiando na mais viva das
memórias?
***
tasse du café & pipe
une tasse du café et le pipe
c’étaient tout la place vide du grand-père à la table
après le dîner
années ensuite
une tasse du café et le pipe
ce sont encore la meilleure présence dans le monde
des êtres vivants qui m’ont enseigné
à partir
qui explique les contradictions de l’amour?
qui autrement la propre poésie, que de
paradoxe dans paradoxe s’éclaire comme
salle solitaire, avec les deux restes
d’arômes effilant la plus vivante des
mémoires?
(Traduit en Français par Elsa Campos)

4 comentários:
O Eugénio de Andrade iria adorar...!
Belo!
As recordações fazem mover as roldadas da vida com uma força única...
Um beijinho!
Obrigado, Clara! O Eugénio não será a chávena e o cachimbo, mas um belo aroma de mar, a entrar-nos pelo quarto!
As recordações, como disse (e bem) a Emília, fazem parte da minha poesia de modo visceral...
Tenho-me dado conta que ela está coberta de razão!
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