Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012

diz o morcego

Foto: Sarolta Bán






















diz o morcego

na polpa dos dedos também
o pó, também ele matéria do
poema, como as partículas
do sorriso nas bochechas
se encobres a boca

o inefável perguntas tu.
um acordeão abrindo suas
asas multicolores sobre a pele
da pedra

sim, tudo se pode no poema.
de cabeça para baixo, às
escuras, de olhos cegos —
diz o morcego

***

dit la chauve-souris 

dans la pulpe des doigts aussi 
le poudre, aussi il matière du
poème, comme les particules
du sourire dans les joues
si tu dissimules la bouche

l’ineffable demandes tu.
un accordéon en ouvrant leurs
ailes multicolores sur la peau
de la pierre

oui, toute se peut dans le poème
de tête en bas, dans
le noir, de yeux aveugles
dit la chauve-souris

(Traduit en Français par Elsa Campos)

2 notas de rodapé:

marlene edir severino disse...

E na poesia tudo é permitido,
vemos as coisas sob o ângulo
que as asas permitem:
intenso, infinito

como bem diz o morcego

Muito bom!

Abraço!

joão ricardo lopes disse...

Muito obrigado, Marlene!

Abraço amigo!