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| Jean-Marc Janiaczyk, Chemin des tournesols, s.d. |
os aviões passam ao largo.
ouvimos-lhe o ronco retardado
deitados nas ervas, por entre as
nuvens
tacteamos a pedra, damos
nomes aos pássaros (nomes
próprios), sabemos o nome de
cada espécie, amamos os
pássaros de qualquer maneira
amamos as pedras
aqui o poema, como o cálamo
da erva, demora e adocica.
extravagantemente ombreia-se
o lintel da luz do sol, talha-se
de frente o astro como o escopro
do pedreiro
minha horta é um reino:
legiões calcorreiam em redor os
caminhos da glória. talvez me
hajam convidado a segui-las
aqui os aviões são aves sem
poiso. o crepúsculo apaga-as
como a um fósforo
a noite traz os fantasmas
num círculo. até eles amam
a fogueira comunitária, o seu
melhor refúgio nas férias
grandes
província, disseste, lá nos cus
de judas.
raspo das solas o teu beijo e
aqui me enterro no húmus
se sou feliz:
quem quer saber de filosofia
entre cardumes de girassóis?

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